Link: http://www.youtube.com/watch?v=jU6iP0WLsU8
Não sei... se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais, mas que seja intensa,
verdadeira, pura...Enquanto durar.
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Carlos Drummond de Andrade - Resíduo

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.

De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

Fonte: MPBNet
     Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.

     Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.

     O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.

     Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.

     Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.

     E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...

     Então hoje não tem crônica.

Fonte: Memória Viva

Cansei de Ser Sexy (CSS) - Alcohol


Link: http://www.youtube.com/watch?v=xT_C-NGB_1c

Link: http://youtube.com/watch?v=-N3OrZzPud8

Link: http://youtube.com/watch?v=t4j1J7uVAXE

Link: http://youtube.com/watch?v=Ie6srRgPenk

Link: http://youtube.com/watch?v=ChW8DpALJpo
Tu foges à cidade?
Feliz amigo! Vão
Contigo a liberdade,
A vida e o coração.

A estância que te espera
É feita para o amor
Do sol com a primavera,
No seio de uma flor.

Do paço de verdura
Transpõe-me esses umbrais;
Contempla a arquitetura
Dos verdes palmeirais.

Esquece o ardor funesto
Da vida cortesã;
Mais val que o teu Digesto
A rosa da manhã.

Rosa . . . que se enamora
Do amante colibri,
E desde a luz da aurora
Os seios lhe abre e ri.

Mas Zéfiro brejeiro
Opõe ao beija-flor
Embargos de terceiro
Senhor e possuidor.

Quer este possuí-la,
Também o outro a quer.
A pobre flor vacila,
Não sabe a que atender.

O sol, juiz tão grave
Como o melhor doutor,
Condena a brisa e a ave
Aos ósculos da flor.

Zéfiro ouve e apela.
Apela o colibri.
No entanto, a flor singela
Com ambos folga e ri.

Tal a formosa dama
Entre dois fogos, quer
Aproveitar a chama . . .
Rosa, tu és mulher!

Respira aqueles ares,
Amigo. Deita ao chão
Os tédios e os pesares.
Revive. O coração

É como o passarinho,
Que deixa sem cessar
A maciez do ninho
Pela amplidão do ar.

Pudesse eu ir contigo,
Gozar contigo a luz;
Sorver ao pé do amigo
Vida melhor e a flux!

Ir escrever nos campos,
Nas folhas dos rosais,
E à luz dos pirilampos,
Ó Flora, os teus jornais!

Da estrela que mais brilha
Tirar um raio, e então
Fazer a gazetilha
Da imensa solidão.

Vai tu, que podes. Deixa
Os que não podem ir,
Soltar a inútil queixa.
Mudar é reflorir.

Fonte: Jornal de Poesia
Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro.

Trago-te flores - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

Fonte: Jornal de Poesia

Bait & Switch


Link: http://www.youtube.com/watch?v=OqVYqcmU98Y

Link: http://www.youtube.com/watch?v=nlM7iAs6roo

Link: http://youtube.com/watch?v=9oYMOqwwYn8

Link: http://youtube.com/watch?v=4drJL-pRTko

Link: http://youtube.com/watch?v=DrzVI_5UK3c

Armchair Fan


Link: http://www.youtube.com/watch?v=Fo0HqE52hlI

Link: http://www.youtube.com/watch?v=1An0LQ7Eg5s

Link: http://www.youtube.com/watch?v=TGvMyd-Vv7I

Hoy, 26/10, de acuerdo con el sitio del Morroída, es "Lo Dia Internacional de Hablarse Portuñol", por lo tanto, si posible, debe utilizar este grandioso idioma en su trabajo, con su amada / o, en su chatear con tus amigos, en su blog, y así sucesivamente.

Para aquellos que no conocen, Portuñol, es una Interlingua (o el idioma de confluencia) que se originó a partir de la mezcla de las palabras del portugués y español, los idiomas que tienen origen en el latín, muy común en los pueblos fronterizos entre los países de habla portuguesa y española.

Debido a la similitud entre Inglés y español deriva del hecho de que la lengua latina, es muy común que las personas a dominar uno de los idiomas se sientan cómodos para hablar con otro imaginando que simplemente cambiar una palabra del portugués por su correspondiente en Español o viceversa, sin tener en cuenta la gramática y la correlación.

Es importante hacer hincapié en la dificultad para clasificar las llamadas "portunhol", como un "idioma", ya que no presenta una coherencia de las normas y condiciones, y pueden variar de acuerdo a cada orador. En el caso de los españoles y los portugueses, sin duda es una manera de hablar.


Para obtener más información, visite lo site oficial de la campaña.

Yo, Egcl, examinó este día como una brillante idea!

Participe usted también! :)

Link: http://youtube.com/watch?v=8yoq86gHSdE

Link: http://www.youtube.com/watch?v=jdsmh1FuCqA

Link: http://youtube.com/watch?v=5yxdsdKtRcQ

Windows Sounds and Logos


Link: http://www.youtube.com/watch?v=VKXXX-XdumY

Link: http://www.youtube.com/watch?v=-4CV05HyAbM

Link: http://youtube.com/watch?v=QDq8Krv6irE
olhar e ver tudo torto, errado
das vantagens de ser incoerente
demente, temente, tenente, patente
das vantagens de ser repetitititititivo
das vantagens de ser livre, foda-se!
das vantagens de se fingir de morto
qual peixe na feira, olho aberto, parado
das vantagens de ser totalmente louco,
pirado, sem nenhum compromisso
com nada, escravo da mente,
sem consciência celular,
sem celular, sem a porra da
agenda, sem rima, sem nada,
só a loucura insana
a te emoldurar a alma
loucura — esta bela armadura
esta couraça intransponível
este colete à prova de tudo

e este poema, impiedoso
a te perfurar o coração

Fonte: Germina Literatura
Não há
no mundo nada
mais bem
distribuído do que a
razão: até quem não tem tem
um pouquinho

Fonte: Projeto Releituras
eu canto suplico lastimo
não vivo contigo
sou santo sou franco
enquanto não caio não brigo
me amarro me encarno na sua
mas estou pra estourar estourar
                eu choro tanto
                me escondo não digo...
                viro um farrapo
                tento o suicídio
                com caco de telha com caco
                de vidro

só falo na certa repleta de felicidade
me calo ouvindo teu nome por entre a cidade
não choro só zango eu resisto fico no lugar no lugar
                eu choro tanto
                me escondo não digo...
                viro um farrapo
                tento o suicídio
                com caco de telha com caco
                de vidro

estou muito acabado tão abatido
minha companheira que venha comigo
mas estou pra estourar pra me zangar
pra me acabar pro o que que há
                eu choro tanto
                me escondo não digo...
                viro um farrapo
                tento o suicídio
                com caco de telha com caco
                de vidro

Fonte: Quase Poema
Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.

Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: - Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.

Fonte: Jornal de Poesia

Link: http://br.youtube.com/watch?v=o9GKdUw5EnI

Link: http://www.youtube.com/watch?v=tmZ25MDvzNU

Link: http://youtube.com/watch?v=HmOBrq6eMbY

Link: http://youtube.com/watch?v=anR3bOR8rPE

Link: http://youtube.com/watch?v=gOsy3v2-7pE

Link: http://youtube.com/watch?v=Vlci-kCEaKE

Link: http://youtube.com/watch?v=V-Po8uJeoUw

Olavo Bilac - Ao coração que sofre

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

Fonte: Jornal de Poesia
Um dia quiseram ver quem era o melhor. Então chamaram Magayver, Jack Bauer e o Cap. Nascimento.

Chegaram pro Magayver e falaram: A gente soltou um coelho nessa floresta. Encontre-o mais rápido que os outros e você será considerado o melhor!

Magayver pegou uma moeda de 5 centavos no chão, um graveto e um clips e entrou na floresta. Demorou 2 dias pra construir um detector de coelhos e voltou no 3º dia com o coelho.

Então chegaram pro Jack Bauer e falaram a mesma coisa. Ele entrou correndo na floresta e 24 horas depois apareceu com o coelho. Pediu desculpas, pois teve que desarmar 5 bombas nucleares, recuperar 15 armas químicas, escapar de um navio cargueiro que ia pra china e matar 150 terroristas pra chegar até o coelho.

Então, depois de Magayver e Jack Bauer, chegou a vez do Cap. Nascimento ir buscar o coellho. Se ele demorasse menos de 24 horas ele seria o melhor. No que ele respondeu:

- Tá de sacanagem comigo 05? Cê tá de sacanagem comigo? Você acha que eu tenho o dia inteiro pra perder com essa porra de brincadeira 05? Tu é mo-le-que! MO-LE-QUE 05!!!

Virou-se calmamente para a floresta e gritou:
- Pede pra sair!!! Pede pra sair cambada!!!

Em menos de 5 segundos já tinha saido da floresta:
- 300 coelhos
- 20 jaguatiricas
- 50 jacarés
- 1000 paca-tatu-cotia-não
- O Shrek e o monstro fumaça do Lost.

Dai ele gritou:
- 02, tem gente com medinho de sair da floresta, 02!
- 07, me dá a doze!

Nisso o Bin laden saiu da floresta correndo!!!

Fonte: Pilândia
não adianta, nada neste mundo
pertence a ti, nem essa ínfima parte
que te compete recifrar em arte.
só é teu o circo das desilusões,
o canto das sereias, o naufrágio
no qual perdeu-se a vida, o rumo, a nave,
a memória da ilha em que viveste
o ato inaugural da tua odisséia.
Penélope esgarçou-se em muitas faces,
e mesmo a guerra, com seus alaridos,
só sobrevive nas versões dos bardos.
não há mais ilha, nem há mais princípio:
teu principado é só imaginário.

Fonte: Alma de Poeta

Love Letters


Link: http://youtube.com/watch?v=Syxwkc36jas

Link: http://youtube.com/watch?v=tlkd45W4TWU

Link: http://youtube.com/watch?v=2C5XuylNFLo

Link: http://youtube.com/watch?v=vSKIl-NeZeE

A Vision of Students Today


Link: http://www.youtube.com/watch?v=dGCJ46vyR9o
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Fonte: A Magia da Poesia
A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.

Fonte: A Magia da Poesia
Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite

a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes

Fonte: A Magia da Poesia

Link: http://youtube.com/watch?v=0eS_hbeYpcI

Link: http://youtube.com/watch?v=L6qgBnPUnjU

CRUTCH


Link: http://www.youtube.com/watch?v=W1KPjiVkybA

Link: http://www.youtube.com/watch?v=rxjrBd4WE2U
Você sabe tão bem quanto eu,
que uma das principais causas do tédio
é a estreiteza do nosso destino.
Todas as manhãs, despertamos iguais ao que éramos na véspera.
Ser eternamente o mesmo é insuportável para os espíritos
refinados pela reflexão.
Sair do próprio eu é um dos sonhos mais inteligentes que um homem pode ter.

Fonte: Provocações
Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.

Fonte: Projeto Releituras

Link: http://youtube.com/watch?v=wFxkvv6bEGE

Link: http://youtube.com/watch?v=s3r6drZFZvg

Édith Piaf - Hymne a L'Amour


Link: http://youtube.com/watch?v=SUPzoKjuEXM

Link: http://youtube.com/watch?v=i-Oi8WnVELo

Link: http://youtube.com/watch?v=i_QABS88nDc

Link: http://www.youtube.com/watch?v=sDFiKTtrp10
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não


Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão


Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba


Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus


Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Link: http://youtube.com/watch?v=DxPp9CivZrM


Link: http://youtube.com/watch?v=V2Zofs8k9TA

Link: http://youtube.com/watch?v=OVzVyhm08kQ

Link: http://youtube.com/watch?v=b3F2ObrisA0

Link: http://youtube.com/watch?v=CMWqjC42gOQ
As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental.
É preciso
Que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível.
É preciso
Que tudo isso seja belo.
É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens.
É preciso, é absolutamente preciso
Que tudo seja belo e inesperado.
É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Eluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como ao âmbar de uma tarde.
Ah, deixai-e dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas.
Nádegas é importantíssimo.
Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente.
Uma boca
Fresca (nunca úmida!) e também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes.
Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério.
Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos.
A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras
Do 1° grau.
Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra;
e Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão
Que é preciso ultrapassar.
Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida.
Oh, sobretudo
Que ele não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.
Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão. que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.

Fonte: Projeto Releituras

Link: http://www.youtube.com/watch?v=GmwqpHsMExg

Link: http://youtube.com/watch?v=5BQ8Q9l1v1g
Entre o autor e o público, posta-se o intermediário.

E o gosto do intermediário
é bastante intermédio, medíocre.

Medianeiros médios pululam nos meios, onde, galopando, teu pensamento chega.
Um deles considera tudo sonolento:
"Sou homem de outra têmpera! Perdão",
e repete um só refrão:
"O público não compreenderá".

Camponês, só viu um faz tempo, antes da guerra.
Operários, deu com dois, uma vez, numa ponte, vendo subir a água da enchente.

Mas diz que os conhece como a palma da mão.
Que sabe tudo o que querem!
Aqui vai meu aparte: chega de chuchotar bobagens para os pobres. Também eles, podem compreender a arte. Logo, que se eleve a cultura do povo!
Uma só, para todos.

Fonte: Provocações
Eu quis fazer uma canção para o Tom Zé
Aquele mesmo bahiano terráqueo de Irará
Na transcriação de fala mansa quase é
Um caboclo que em si ainda canta a sabiá

Porque Tom Zé proseia fácil e ousa tanto
E tira e soma timbres até de velhos jornais
E desse confeito em letra e música o canto
Pertinência acalanto em eito próprio traz

Eu quis fazer uma canção para o Tom Zé
Sessenta e sete anos e ainda tão moleque
Tudo de si é banda que ele afina bem até
Soar-se bumbo bamba taperá sem breque

Porque Tom Zé eletriza a transmutação
De sua voz cabeça tronco e babel sonora
Na sua ilógica tripolar é luar de ser tão...
Escala diapasão cabeça e outra pandora

Eu quis fazer uma canção para o Tom Zé
Nos contrapontos de invencionices zil
Formiga preta reacendeu cheiro de fé
A mãe pintou o pai e ele soa bem Brasil

Porque Tom Zé trama a rítmica ancestral
No seu pastel de couve a música é vento
De Irará a Joselita foi caminho suave trigal
E ele veio árvore sem nodal ou documento

Eu quis fazer uma canção para o Tom Zé
A Rua Quixabeira trouxe em íntimo de si
Ele faz chover em lagarto pedrês que é
Mágico do cipó inventa um bemol em mi

Porque Tom Zé é cerâmico e corpóreo sim
No táctil do que ao ser de si se sonoriza
Água que anda pirilâmpada ou arlequim
Um mulo-com-cabeça que se peroliza

Eu quis fazer uma canção para o Tom Zé
Filete bípede e ninhal de tanto encantário
Borboleteando recriações de lavras até
De Irará pondo-se em si louvre sudário

Porque Tom Zé deve ser tantos e ai de si
Multiplicando o zero para nos encantar
Meio alumbrado e muito urbano zumbi
Bendito o ser de si que ele é todo lugar.

Fonte: Provocações
Toda vez que um justo grita,
Um carrasco vem calar.
Quem não presta fica vivo
Quem é bom mandam matar.
Foi trabalhar para todos
E vejam o que lhe acontece:
Daqueles a quem servia,
Já nem um mais o conhece.
Quando a desgraça é profunda,
Que amigo se compadece?
Foi trabalhar para todos,
Mas por ele quem trabalha?
Tombado fica seu corpo
Nesta esquisita batalha.
Suas ações e seu nome,
Por onde a glória os espalha?
Por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Que reformava este mundo
De cima da montaria.
Por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Ele na frente falava
E atrás a sorte corria.
Por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Liberdade, ainda que tarde,
Nos prometia.

Fonte: Provocações

Link: http://www.youtube.com/watch?v=FtcJ9NqAI_4

Processo 11923 - O caso do treinador desaparecido


Link: http://www.youtube.com/watch?v=j57XK2GWvXE

Link: http://youtube.com/watch?v=QQGlvL-UE9M

Link: http://youtube.com/watch?v=OBSkLfVp2fQ

Link: http://youtube.com/watch?v=L6RSD8m_QOQ

After Oz


Link: http://youtube.com/watch?v=f1lkEgKzix4
É a esperança que ilude
Ou o castigo adiado
É o vício que me confunde
Com o mundo parado

É o triste fim da felicidade
Com gritos, sem ser escutado
É um sentimento pegue-pague
Meus ouvidos, estão tampados

É o passado esquecido
Não penso, não entendo
O futuro morre por vírus
De um eterno lamento

É o fogo aquecido...
Com cinzas espalhadas
Sou vozes de mendigo
Ou uma estátua quebrada.

Fonte: JLBELAS
O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.
Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.
O que mais dói e o peito nos oprime,
E nos revolta mais que o próprio crime,
Não é perder da posição um grau.
É ver os votos de um país inteiro,
Desde o praciano ao camponês roceiro,
Pra eleger um presidente mau.

Fonte: JLBELAS
As palavras não vêm.
Os olhos ficam marejados.
Buscamos num sorriso disfarçar
Toda a emoção que nos invade.

E um coração de poeta,
Sensível a tudo,
Chora uma lágrima de saudade...

Colhemos as palavras mais bonitas,
As mais ternas,
As mais amigas,
Que enfeitassem singelas
O momento da despedida.

Ei-las que chegam, por fim,
Mas deixando sílabas pelos caminhos.

Até a volta, am...

E um coração de poeta,
Sensível a tudo,
Chora uma lágrima de saudade...

Fonte: JLBELAS
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Fonte: Jornal de Poesia

Monica Salmaso - Beradêro (Chico César)


Link: http://www.youtube.com/watch?v=3cSvrp1r-4k

Link: http://www.youtube.com/watch?v=_G-Xa8mC06g

Link: http://www.youtube.com/watch?v=pDFrduuaUoc

Link: http://www.youtube.com/watch?v=WfO8mGjXoe8

Link: http://www.youtube.com/watch?v=y41DykcpgRg

Hoje é o dia do "Blog Action Day", uma campanha que visa abordar diversos temas, em todo o Mundo, com o auxílio dos Blogs. Especificamente neste ano, o assunto é o Meio Ambiente, portanto, adiciono aqui um artigo referente à trajetória da humanidade, escrito por Lara Lutzenberger, presidente da ONG "Fundação Gaia", criada em 1987 pelo agrônomo e ecologista José Lutzenberger.



Somos nós os Extraterrestres?

(Artigo para Revista Conexão Social)


É evidente que a trajetória da humanidade está frente a um momento de necessária reflexão.

Se a ciência desmistificou e decodificou meticulosamente inúmeros mecanismos naturais do grandioso processo de evolução orgânica do nosso planeta, e conseguiu paulatinamente traduzi-los em tecnologias deslumbrantes que ampliam nossas condições de conforto e nossa capacidade de locomoção e colonização planetária; por outro lado, essa mesma genialidade veio acompanhada de um processo gradativo de desconexão do mundo natural e vem corroendo a base de nossa sustentação – a água, o ar, o solo e as espécies que coabitam o planeta conosco estão todos assustadoramente alterados e ameaçados. Cremo-nos seres superiores e como tais liberados para manipulação e usufruto irrestrito de tudo o que nos circunda.

É engraçado, adoramos fantasiar sobre possíveis seres extraterrestres – seres que viveriam em planetas e galáxias absurdamente distantes e desconhecidos e que eventualmente colonizariam nosso planeta, mas vindo de outra realidade e crendo-se mais evoluídos, ocasionariam uma infinita gama de distúrbios e desequilíbrios sócio-ambientais. Mas vejamos: desvinculados do mundo natural, encapsulados numa realidade cada vez mais virtual e artificial; não estamos nós mesmos assumido uma postura extraterrestre?

E agora? O que fazemos? Qual o desfecho dessa história?

Continuamos travando uma luta com os demais seres que coabitam conosco esse planeta encantador até sermos efetivamente expulsos para, quem sabe, conquistar galáxias inimaginavelmente mais distantes; ou retrocedemos um pouco, re-adotando uma atitude mais humilde, mais cooperativa, reconhecendo o divino em cada uma das diversas formas de Vida que compõem conosco a grande Comunidade Terrestre e que dão ao nosso planeta, Gaia, uma identidade e uma individualidade única no grande Cosmos?

Insistimos numa postura egoísta e indiferente, ou reconhecemo-nos como simples manifestações distintas da mesma essência de Vida, que inclui o encanto do canto dos sabiás, a complexidade social e estrutural de uma colméia, a arquitetura naturalmente sofisticada de um ninho de João-de-barros?

Para que a segunda opção se concretize, devemos rever nossa visão parcial e fragmentada de mundo a partir de uma compreensão sistêmica dos princípios ecológicos que regem Gaia. Precisamos buscar a alquimia certa entre o conhecimento racional e o saber intuitivo; suscitar emoções e promover ações que visem a preservação do todo que integramos.

Vamos realinhar-nos com os demais e deixar a conduta extraterréstrica restrita ao âmbito da fantasia!


Lara Lutzenberger
Presidente

Angela Gheorghiu - Carmen: Habanera (Bizet)


Link: http://www.youtube.com/watch?v=pJLyZqETuBU

Link: http://www.youtube.com/watch?v=nJruYJz3bwQ

Link: http://www.youtube.com/watch?v=rzDjA8OULSc

Link: http://youtube.com/watch?v=B_POkOLy2rM

Link: http://youtube.com/watch?v=RuBgU6scm84

Link: http://youtube.com/watch?v=TJuk6-nJfSs

Link: http://youtube.com/watch?v=zDWMNOd6TmY

Link: http://youtube.com/watch?v=rs_X2Paw9gc

Link: http://youtube.com/watch?v=FpumrurNdII

Link: http://youtube.com/watch?v=R47bsH_7TvU

Link: http://youtube.com/watch?v=3FZytEZ5ee0

Link: http://youtube.com/watch?v=2nYg96ElUeQ

Geraldo Carneiro - Principalmente

sempre fui bem tratado como um príncipe
e fui me afeiçoando aos privilégios
aos florilégios e às vilegiaturas
que me couberam neste reino etéreo
e deletério, porque o esquecimento
é tão inevitável quanto a vida
e a morte é toda feita de mistério.
procuro ouvir a sorte nos meus búzios
como o Bilac ouvia suas estrelas,
coisa que nunca ouvi, mas compreendi
mesmo não tendo credo acreditável.
fui construindo assim meu edifício
sobre essa arquitetura de quimeras,
cujo arquiteto talvez fosse cego,
ou gênio, ou simplesmente ausente.

Fonte: Projeto Releituras
Fôssemos infinitos
Tudo mudaria
Como somos finitos
Muito permanece.

Fonte: comunismo.com.br

Link: http://youtube.com/watch?v=SB64T1m_Z2g
Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus-ou foi talvez o Diabo-deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.

Fonte: Alô Escola
Neste álamo sombrio, aonde a escura
Noite produz a imagem do segredo;
Em que apenas distingue o próprio medo
Do feio assombro a hórrida figura;

Aqui, onde não geme, nem murmura
Zéfiro brando em fúnebre arvoredo,
Sentado sobre o tosco de um penedo
Chorava Fido a sua desventura.

Às lágrimas a penha enternecida
Um rio fecundou, donde manava
D’ânsia mortal a cópia derretida:

A natureza em ambos se mudava;
Abalava-se a penha comovida;
Fido, estátua da dor, se congelava.

Fonte: Alô Escola
Monotonias das minhas retinas...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...
Todos os sempres das minhas visões! "Bom giorno, caro."

Horríveis as cidades!
Vaidades e mais vaidades...
Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria!
Oh! Os tumultuários das ausências!
Paulicéia - a grande boca de mil dentes;
e os jorros dentre a língua trissulca
de pus e de mais pus de distinção...
Giram homens fracos, baixos, magros...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...

Estes homens de São Paulo,
Todos iguais e desiguais,
Quando vivem dentro dos meus olhos tão ricos,
Parecem-me uns macacos, uns macacos.

Fonte: Alô Escola
Dor, incomodo,
Pensamentos
Um devaneio.

O que queria
Em minhas mãos se diluiu...e,
o pensamento real
ao meu mundo retornou
Como areia dentre os dedos
o pensamento
se foi...
E pra mim o que restou?

Pensamentos, dor
Devaneios, incômodo...

Fonte: Jornal de Poesia
Criança ingênua, o dia inteiro,
com os meus caniços de taquara,
ficava eu, ao sol de então,
junto dos tanques, no terreiro,
soprando a espuma, leve e clara,
fazendo bolhas de sabão.

Corando a roupa, entre cantigas,
as lavadeiras, que passavam,
interrompiam a canção...
Riam-se as pobres raparigas,
vendo as imagens que brilhavam,
nas minhas bolhas de sabão.

Cresci. Sofri. Sonhando vivo.
E, homem e artista, ainda agora,
me apraz aquela distração...
E fico, às vezes, pensativo,
fazendo versos, como outrora
fazia bolhas de sabão.

E velho, um dia, de repente,
sem ter, de fato, sido nada,
pois tudo é apenas ilusão,
há de extinguir-se a alma inocente
que em mim fulgura, evaporada
como uma bolha de sabão.

Fonte: Projeto Releituras
Esse punhado de ossos que, na areia,
alveja e estala à luz do sol a pino
moveu-se outrora, esguio e bailarino,
como se move o sangue numa veia.
Moveu-se em vão, talvez, porque o destino
lhe foi hostil e, astuto, em sua teia
bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia
o que havia de raro e de mais fino.
Foram damas tais ossos, foram reis,
e príncipes e bispos e donzelas,
mas de todos a morte apenas fez
a tábua rasa do asco e das mazelas.
E ai, na areia anônima, eles moram.
Ninguém os escuta. Os ossos choram.

Fonte: Projeto Releituras

Link: http://youtube.com/watch?v=6tiYP4zNMvg

Link: http://youtube.com/watch?v=WIVh8Mu1a4Q

Link: http://youtube.com/watch?v=fzm1DY3hJL8

Link: http://youtube.com/watch?v=DK-jPrWJrpo

Link: http://youtube.com/watch?v=QJ607Yzwn7k

Link: http://youtube.com/watch?v=TWoe6bWNM5A

Link: http://youtube.com/watch?v=Gt0goTpW_sk

Link: http://www.youtube.com/watch?v=CXA9YPCP2MU

Link: http://youtube.com/watch?v=qjkHmkCpQJA
A morte é indolor.
O que dói nela é o nada
que a vida faz do amor.
Sopro a flauta encantada
e não dá nenhum som.
Levo uma pena leve
de não ter sido bom.
E no coração, neve.

Fonte: Jornal de Poesia
Ninguém me habita. A não ser
o milagre da matéria
que me faz capaz de amor,
e o mistério da memória
que urde o tempo em meus neurônios,
para que eu, vivendo agora,
possa me rever no outrora.
Ninguém me habita. Sozinho
resvalo pelos declives
onde me esperam, me chamam
(meu ser me diz se as atendo)
feiúras que me fascinam,
belezas que me endoidecem.

Fonte: Jornal de Poesia
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Fonte: Jornal de Poesia

Link: http://www.youtube.com/watch?v=u8NCLDEZ660

Martha Medeiros - De cara lavada - 177

hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos

o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos

a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos

a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos

aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos

coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos

Fonte: Projeto Releituras
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.

Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.

Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.

Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Fonte: Kplus
Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta. Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade. Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada. Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.

Fonte: Kplus
Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

Fonte: Provocações

Link: http://youtube.com/watch?v=qqsyXdj_p_I

Link: http://youtube.com/watch?v=AI1NgFYJCN4
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